quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pudim (Marta Medeiros)




Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. 

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). 

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.  
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. 

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.

E por aí vai. 

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...  

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua,o compasso,a bússola, a balança e os 10 mandamentos.  

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.  

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'. 

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração
saciado. 

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. 

Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro,um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?  Não necessariamente nessa ordem. 

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.




“Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.”

  Mário Quintana


heart fountain





segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Siga seu coração


Um velho peregrino estava caminhando pelas montanhas do Himalaia, no cortante frio do inverno, quando começou a nevar.

Disse-lhe o dono de uma hospedaria:

- Como conseguirá chegar lá com este tempo, meu bom homem?

O velho respondeu alegremente:

- Meu coração chegou lá primeiro... 
Desse modo, é fácil para o resto de mim seguí-lo.

(Autor desconhecido)



Siga sempre seu coração... ele sabe o caminho certo para a felicidade!

bjs de Luz




domingo, 11 de dezembro de 2011

A Estrela Humilde



De todas as estrelas que brilham no céu, houve sempre uma mais brilhante e bela que todas as outras. Todos os astros do céu a contemplavam com admiração e interrogavam-se sobre qual seria a missão importante que lhe estaria destinada. A própria estrela, sem falsa modéstia, estava consciente da sua incomparável beleza e da sua importância no Universo. As dúvidas desfizeram-se num dia de Dezembro, quando um grupo de anjos se aproximou dela e lhe disse:

- Por favor, vem conosco. Deus tem uma missão para ti.

Foi assim que ela ficou a saber que deveria indicar e iluminar o local onde teria lugar um acontecimento muito importante, o mais importante da História.

A estrela encheu-se de orgulho, vestiu-se com os melhores brilhos e prontificou-se a seguir os anjos. Brilhava com tanta força e beleza que podia ser vista de todos os lugares da Terra.

De imediato, um grupo de sábios decidiu segui-la, sabedores de que deveria indicar algo muito importante.

Durante dias, a estrela seguiu os anjos, indicando o caminho, ansiosa por descobrir como seria o lugar que iria iluminar. Porém, quando os anjos pararam e, com grande alegria, lhe disseram “É aqui”, ela não queria acreditar. Não havia templos, palácios, castelos ou mansões, nem ouro ou jóias. Só um pequeno estábulo meio abandonado, sujo e a cheirar a mofo.

- Oh! Isto não. Não posso desperdiçar o meu brilho e a minha beleza, iluminando um lugar como este. Eu nasci para algo mais grandioso!

Por mais que os anjos se esforçassem por acalmá-la, a fúria da estrela cresceu, cresceu, cresceu e chegou a juntar tanta soberba e orgulho no seu interior que começou a arder. E assim se consumiu a si própria, desaparecendo em poucos instantes.

Os anjos ficaram em pânico, pois faltavam poucos dias para o grande acontecimento e não tinham estrela. Correram até o Céu e contaram a Deus o que tinha ocorrido, depois de meditar um pouco, Deus ordenou:

- Procurai a mais humilde, a menor, a mais alegre das estrelas do Céu.

Surpreendidos, os anjos atravessaram o céu escuro, até encontrarem a estrela pedida pelo Senhor. Era pequeníssima, do tamanho de um grão de areia.

- A estrela mais perfeita da criação, a mais brilhante e mais bela, falhou pela sua soberba. Penso que tu, a mais humilde e alegre de todas as estrelas, serás perfeita para iluminares o acontecimento mais importante da História: o nascimento do Menino Jesus, em Belém. – disse-lhe Deus.

Os anjos levaram-na até ao estábulo, onde ela ficou a brilhar, mas, de imediato, deu conta que o seu brilho não tinha o fulgor das outras estrelas. Era um brilho tênue, insignificante, como o deu uma candeia. A estrela bem se esforçava, mas era incapaz de brilhar mais.

Como era humilde, lembrou-se de convidar todas as estrelas do Céu para se juntarem a ela no dia vinte e cinco de Dezembro, á meia-noite. Em conjunto, iluminariam o nascimento de Jesus.

Nenhuma estrela recusou o convite. E tantas e tantas estrelas se juntaram que entre todas formaram a estrela de Natal mais bela jamais vista no Céu.

Encantado com o seu excelente serviço, e como prêmio pela sua humildade e generosidade, Deus converteu a pequena mensageira numa preciosa estrela brilhante e deu-lhe o dom de conceder desejos cada vez que alguém a visse brilhar no céu.

Vaz Nunes



domingo, 25 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ubuntu


A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu. Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta para casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essÇencia daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

UBUNTU PARA VOCÊ!


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Alegria


Sempre que estou decepcionada com meu lugar na vida, paro e penso no pequeno Jamie Scott.

Jamie estava disputando um papel na peça da escola. Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas ela temia que ele não fosse escolhido.

No dia em que os papéis foram distribuídos, eu fui com ela para buscá-lo na escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção.

- advinha o que, mãe!

E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim:

- eu fui escolhido para bater palmas e espalhar alegria!




Leo Buscaglia



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